Que a novela é um método eficaz de abster o ser humano da realidade, eu já sabia, mas não sabia que ele transformava os seres em mortos vivos, e muito menos que causava síndrome de abstinência.
Estava em atividades cotidianas quando ví algo no mínimo cómico acontecer. Um cachorro lindo branco estava preso à uma corrente, deitado à lama sob forte chuva.
O cachorro chorava, latia, talvez pedindo ajuda, e duas mulheres da família arquitetavam uma forma de remover a casa do cachorro para um lugar protegido da chuva. Após muito tentarem, chamaram o mais habilitado da família para o serviço. Então escuta-se o grito: "Pai, vem ajudar a tirar o cachorro da chuva", até então meio dramático, o tom comico veio na resposta do "Pai": "Po... deixa esse cachorro aí meu , depois eu faço isso agora to assistindo PANTANAL". A Família insatisfeita com a resposta pressionava o homem à sair e depois de quase 15 (quinze) minutos o homem sai com um carão e transfere o cachorro de lugar.
O máximo da historia foi ver o "Pai" inquieto quando a música de abertura da novela tocou anunciando o fim do comercial , o homem ofegava, ensaiava o retorno à casa por várias vezes deu coceira em todo o corpo e seu humor foi se modificando, ele estava menos tolerante e com a afeição preocupada.
Eu ria que me acabava e ao mesmo tempo lamentava o fato de uma pessoa chegar a tal ponto. Uma dependência psicológica da novela. Parecia um viciado atrás de um ponto de venda. Realmente é lastimável os malefícios da TV quando não apreciada com moderação...
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